velho tarado |
depois de velho, continuou tarado. |
Uma visita rápida à casa onde nasceu meu avô, na Espanha, em Alhaurin El-Grande.

Como em “Blow up -depois daquele beijo”, Almodóvar tirou uma foto e percebeu um detalhe apenas depois da revelação. Esse fato serviu de inspiração para “Abraços partidos”. Memórias, fotos, cinema. O que existe de fato, o que pode ser alterado, o que se mantém vivo nas lembranças - é dessa matéria que se constrói a história.
De uma certa forma, nossas memórias são como um filme. Escolhemos e editamos nossas lembranças. Muitas vezes. Algumas sem perceber. Outras de forma consciente. Se contarmos algo que nos aconteceu uma semana depois do fato e outra vez após um ou dois anos, ela será diferente. Lembraremos de coisas novas. Inventaremos outras. Até se contarmos no mesmo dia, mas para pessoas diferentes, a história será mudada. Não falamos para o pai o que confidenciamos à um amigo próximo. Portanto, nossas memórias são mutáveis.
Um filme também é assim. Se usarmos os takes errados o filme fica torto. Mas quais são os takes certos? Quem sabe qual take vai contar a história que quero contar? Essas respostas ninguém tem com precisão. O take errado de hoje é o certo de amanhã. A certeza de hoje é a dúvida de amanhã. E depois de pronto, o filme não é o mesmo ao assistirmos outras vezes. Numa mesma cena podemos chorar e sorrir, depende de onde nossa vida está.
É com esse material impreciso e nebuloso que Pedro Almodóvar irá nos contar a história de “Abraços partidos”. Por isso o filme quase todo em flash back. E vem carregado de uma sensação de estar incompleto, imperfeito. Assim, no final da sessão fica-se com um gosto amargo na boca. De que falta algum ingrediente nesse bolo. Na vida, nem tudo se encaixa. Nesse filme também não.
