velho tarado |
depois de velho, continuou tarado. |
Clapton toca Johnson.
Duke Robillard - “Rule the world”.
Esse recebi de natal.
Comprado!
John Hammond - “Texas Tornado”.
do álbum “Live”

Volto para os blues. Meus blues. Meus clássicos.
Acho que se não houvesse John Hammond, minha relação com o blues seria bem diferente. Era o primeiro festival de blues de São Paulo. Minha mãe volta do trabalho e me convida. Devia ter uns 12 anos. Ingresso estava sobrando, agora não mais. Fazia frio e meus pais me emprestam um poncho verde. Depois desse dia, virei dono do poncho. Quando ele já não servia pra usar, virou cobertor. Um cobertos com buraco no meio. Me esquentou por vários invernos.
O show era no ginásio do Ibirapuera. Não devo ter ido lá mais que três vezes na minha vida. Sentamos. O lugar era bom, apesar da distância do palco, permitia uma boa visão. O astro que encerraria a noite era o Magic Slim. Antes veio John Hammond. Fiquei embasbacado. Só com uma guitarra e gaita, ele calou o ginásio inteiro. Todos hipnotizados escutando seu blues. Só depois fiquei sabendo que era um estilo musical negro e minha impressão do show só melhorou. Aquele branquelo matou a cobra e mostrou o pau.
Demorou um bom tempo pra ter um CD de John. Encontrar álbuns de blues era algo raro. Fui na loja perto de casa encomendar pra vir do exterior, na época que o dólar estava um pra um com a nossa moeda. A maior parte da minha coleção vem dessa época. Meu cd não é esse autografado, mas foi a melhor imagem que achei desse álbum. Anos mais tarde eu consegui um autógrafo dele também, acho que foi quando ele veio se apresentar no Bourbon Street.
Muddy Waters, “She’s alright” - Eletric mud.

Começo com esse post uma série de álbuns de blues. Não estou ficando gago, escrevi mesmo ‘meus meus’. Vou explicar. O primeiro ‘meus’ é porque escreverei sobre álbuns clássicos pra mim, não necessariamente para indústria fonográfica, ou para história da música. São aqueles me mudaram algo em mim por qualquer razão. O segundo ‘meus’ vem do fato de serem álbuns que posso, que comprei ou ganhei. Não baixei da internet. Assim, são os meus meus clássicos do blues.
O primeiro que escrevo é “Eletric Mud” do genial Muddy Waters. Lançado em 1968, pelo que entendo, Muddy foi um dos primeiros bluseiros de raiz a se render aos acordes elétricos da guitarra. Na época do lançamento muitos torceram o nariz. Waters abusa da guitarra, faz ela gemer, gritar, sussurrar. As faixas poderosas vão se acumulando. Influências de psicodelia, do blues inglês e do rock. Sempre bem dosado com o blues.
Devo ter comprado o CD na época em que o real valia o mesmo que o dólar. Não havia amazon, nem mp3 pra baixar. Ia até a loja de CDs e encomendava, tinha que esperar uns 15 dias, ou até um mês pra colocar a mão. Antes de comprar qualquer coisa, pra diminuir o risco, eu lia uma edição especial da antiga revista “Bizz”, os álbuns essenciais - ou qualquer coisa parecida -, que dava a discografia completa e alguns destacados como mais preciosos. Se minha memória não falha, esse era um dos essenciais. Comprei vários por causa dessa edição especial.
Até o próximo blues!