velho tarado |
depois de velho, continuou tarado. |
Vi três filmes brasileiros recentemente. Todos tinham locuções em off. Em nenhum ela me pareceu necessária. “Heleno”, “Bruna Surfistinha” e “Xingu”.
O off no cinema - ou melhor, no audiovisual - é uma muleta. Aquilo que as imagens não comportam vai para na voz de um narrador. Pode ser um comentário pertinente. Pode ser uma passagem de tempo. Pode ser a ironia. Pode ser uma explicação do que não foi - e nem será - mostrado. Mas nos três filmes citados a narração não preenche esses requisitos. Vira um ruído.
Os três filmes são bem resolvidos imageticamente. A história toda está ali, nas imagens, e o off fica perdido, deslocado. Minha primeira impressão é de insegurança. Os diretores filmaram certo e não confiaram no próprio trabalho, acreditaram na certeza do off. Outra possibilidade é da locução estar presente no roteiro. Desde o começo saberiam de sua existência. Mas na montagem alguém deveria ter cortado. Ei, que tal tentarmos ver o filme sem os offs? Qualquer um poderia ter sugerido. Se aconteceu, o diretor preferiu a segurança.
E aqui faço meu ponto. O cinema brasileiro vive um momento bom teoricamente. Lança filmes. Grande produções. Bons atores. Diretor em Hollywood. Mas vejo pouco tesão. A produção cinematógrafica é um Titanic, envolve leis de incentivo, captação de verba, patrocínio… e mais algumas burocracias. Isso tudo passa pro filme. Perde-se a urgência. Ganhamos a tal da profissionalização. Hoje, a famosa frase, uma câmera na mão e uma idéia na cabeça, não faz mais sentido.
O off é retrato disso. O risco de não se entendido deve ser diluído. A classe C deve ser atingida. O público tem que entender, digerir e replicar. O fato de sucessos de público recente, “Cidade de deus” e “Tropa de elite”, terem locuções é a prova de que é isso que o povo quer.
Os três filmes são baseados em pessoas reais. A opção pelo off pode ter sido por isso. Ele dá credidilidade, no sentido de crer. É interessante pensar um áudio torna o filme mais ‘real’. Uma herança da época em que o cinema deixou de ser mudo, os atores falam! Em ”Heleno” e “Xingu”, vemos as imagens reais dos retrados no final do filme. O off é mais ‘real’ que a própria ‘realidade’?
Além de muleta, off é funil. O que era interpretativo, vira afirmativo. O que era dúvida, vira certeza. Isso é algo inerente. O caráter prepotente faz parte de quem conta a história. Narrador é Deus. Tem a história nas mãos e tem sempre razão. É algo poderoso. Com grande poder, vem grande responsalididade, disse Peter Paker.
Novo filme de Beto Brant. Baseado em livro de Marçal Aquino.
O artista. É bom.
Trailer, Os Descendentes, novo filme de Alexander Payne.
O problema de você não assinar mais jornal é que descobre tardiamente que a Cinemateca de São Paulo está em cartaz com uma mostra do Yôji Yamada. E agora?
Poster alternativo para Corações Sujos.
E.T.
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Documentário sobre Itamar Assumpção. De graça, em São Paulo.
Clint Eastwood. Por Danyael Lopes.
Alfred Hitchcock in What’s My Line. (Pode dar play que o formato fica certo)
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“A dangerous method”, novo filme de Cronenberg. Jung e Freud se encontram.
Werner Herzog, cineasta alemão. Em palestra na cidade de São Paulo.
Pistoleiros em apuros.
(via ideiasdefilmes)
Pra quem não entendeu A origem, aqui está uma rápida explicação. E bem melhor que o filme, diga-se.